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- Queria ter dado, mas ele era casado
- Mulher Alface / Mulher Rúcula / Mulher Quiabo
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Você já pensou em enfiar uma faca em alguém? Em como deve ser a sensação de enfiar a faca em alguém? Eu já. E penso nisso até hoje...
Quando eu tinha 18 anos, fiz minha primeira viagem internacional. Fui de mochila para a Europa com minha irmã mais velha. Na época, ela tinha 20. E se achava muito mais esperta do que eu, como todas as irmãs mais velhas.... Tínhamos acabado de sair da adolescência e estávamos parando de brigar. O nosso dinheiro era contado. Fomos para Espanha, Portugal, França, Inglaterra, Holanda, Grécia e Itália. Aliás, foi em Veneza que me apaixonei a primeira vista por minha primeira Barbie de sereia. Ficava olhando ela pela vitrine, só olhando, admirando, querendo e não podendo. Aí, no terceiro dia, resolvi: vou comprar. Fiquei sem comer uns 3 dias pra compensar e conseguir juntar a grana. Era só tomate, pêssego e maçã. Por isso resolvi andar com uma faca daquelas de serrinha na bolsa, para descascar frutas quando fosse preciso. A Barbie, Miss Lady Blue, virou companhia e amuleto fiel até hoje. Foi a primeira de muitas...

Naquela viagem nasceu a semente da minha amizade eterna com a minha irmã. Apesar de algumas brigas, vivemos juntas histórias memoráveis. Caímos da moto na Grécia, dormimos nos roofs (telhados a céu aberto) dos navios, comemos “space cake” em Amsterdam, ficamos muito loucas e achamos que íamos morrer, ficamos nos mais fuleiros albergues e conhecemos muita gente legal. Encerramos a viagem na Grécia, com um passe que nos dava direito a 5 ilhas em 2 semanas. Você pode imaginar o que era estar num lugar mágico como a Grécia com gente do mundo inteiro para 2 garotas de 18 e 20 anos?? Foi incrível, memorável...
E foi ali que comecei a descobrir muitas coisas sobre mim.
No último dia, tivemos que nos separar. Minha irmã teria que passar em Paris para buscar uma mala que tinha deixado por lá. E eu voltaria para o Brasil por Roma. Faria uma escala lá e passaria o dia na cidade. Nos encontraríamos no fim do dia no aeroporto e voltaríamos juntas ao Brasil. Por um capricho do destino, isso não aconteceu.
Eu cheguei em Roma muito feliz, com a energia lá em cima. Não lembro de tudo exatamente, mas lembro bem quando cheguei ao Coliseu. E me encantei com aquelas ruínas e com tudo que deve ter acontecido por lá. Aí, que, do nada, fiquei amiga de um cara gentil que veio falar comigo. Eu estava super aberta a conhecer pessoas, estava solar, a alma feliz. Ficamos amigos, passeamos por Roma, ele me comprou chocolates, trocamos telefones. E, quase na hora de ir embora, falou “Você não quer vir na minha casa tomar um banho, pra você chegar limpinha no Brasil?” Não era uma má idéia, estava um baita calor e eu fui.
Só que, chegando lá, ele se transformou, virou outra pessoa. Trancou a porta e falou, do nada: “Se você não fizer tudo o que eu mandar, nunca mais vai ver sua irmã na vida... Você pode gritar, que aqui ninguém vai te ouvir”.
Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, não era possível. Precisava pensar rápido. A primeira coisa que falei, lógico, foi “vamos conversar, a gente é amigo, não é?” Ele estava irredutível. Começou a colocar uns filmes pornôs na TV e falou que eu teria que fazer tudo aquilo, reforçando que, se não fizesse, nunca mais ia ver minha família. Até então eu nunca soube o que era um psicopata de verdade. Ele rasgou a minha roupa. Uma bermuda roxa e uma blusa preta, isso lembro bem. Aí fui tentar conversar de novo. Ele já estava bastante agressivo e alterado. Falei “vamos conversar, calma aí”e num segundo de vacilo dele peguei a faca na minha bolsa. Aquela, de descascar frutas. Esse foi o momento crucial. Será que eu conseguiria? Acho que sim. Segurei ela com muita força e virei para ele. Que segurou o meu pulso com tanta raiva que ele quase quebrou e a faca caiu. Ele pegou. E jogou debaixo da cama. E agora?
A essa altura eu já estava ficando sem saída, pensando no meu namorado no Brasil, que tinha tido tanta paciência comigo para tirar minha virgindade em etapas, para não me machucar, com tanto cuidado, tanto carinho, e vinha um babaca desses e queria estragar tudo?? Não era justo, não era certo, não era possível. Mas era real, era um pesadelo e estava acontecendo. Então, comecei a chorar. O choro foi aumentando, aumentando, aumentando, até ficar histérico e desesperado. Lá no fundo eu não estava desesperada.  Estava controlando tudo aquilo. Não sabia como nem porquê. Foi inconsciente, dramático. Fui atriz sem saber que era.
No meio do transe, lembrei da minha irmã. Se ela estivesse no meu lugar, talvez tivesse travado, paralisado. E ele teria feito tudo o que queria. Ainda bem que era eu. Chorei ainda mais forte. De raiva, de indignação, de medo.
De uma hora para outra ele falou “vai tomar banho que nós vamos para o aeroporto”. Eu não tinha opção, era a minha única chance de sair de lá. Fomos. E, no caminho, ele me comprou flores. Falou que nunca deveria ter feito isso comigo, que se apaixonou à primeira vista. E depois parou em frente a uma delegacia de polícia. Falou “Vai lá e me denuncia, eu jamais poderia ter feito isso com você...” Imagina eu, aquela altura, só queria ir embora de lá, daquele país, daquela pessoa. Imagina se eu faço uma denúncia na Itália, lógico que meu pai ia ficar sabendo aqui no Brasil, puta desgosto, sofrimento, não queria mais aquilo. Só queria sair dali. “Me leva para o aeroporto”, pedi.
Lembro até hoje da cena. Eu chegando no aeroporto de Roma, queimada de sol, mochilão nas costas e flores na mão. Que foram para o primeiro cinzeiro que encontrei.
Flores no cinzeiro. Tenho essa cena até hoje na cabeça.
E ainda veio a notícia surreal: só encontraria minha irmã no Brasil. O vôo dela da França foi direto para o Brasil, não pararia mais em Roma. Embarquei sozinha e fiquei 13 longas horas passando mal no avião. Tentando digerir e entender tudo aquilo que tinha acontecido. Por que uma viagem tão linda tinha que acabar assim? Fiquei com dor de barriga, dor de estômago e dor na alma. Queria tanto ver minha irmã...
Foi um dos encontros mais emocionantes da minha vida. Sabe quando duas pessoas vem correndo uma de cada lado do corredor e se abraçam? Foi assim, exatamente assim, tipo novela... Choramos muito. Ela, feliz por ver que a irmãzinha mais nova tinha conseguido embarcar sozinha e eu.... bom, eu estava feliz por estar viva e estar vendo-a novamente, coisas que talvez, por alguns segundos não sabia se seriam possíveis... Entre lágrimas e soluços, contei tudo o que aconteceu e juramos segredo a respeito.
Aos poucos, a ferida foi curando. O buraco foi mais interno do que externo. Fui no médico, contei tudo, fiz todos os exames possíveis, e apesar de nada ter sido consumado efetivamente, foi bom para, psicologicamente, ter a certeza que estava tudo bem. O pulso, esse sim, ficou doendo duas semanas...
A história poderia acabar aqui, mas ainda não. Depois de uns dois anos, estava eu me recuperando de uma cirurgia de um osso que quebrei no rosto depois de cair do “Banana Boat” em Ubatuba, quando toca o telefone, lá pela meia noite.
Sim, era ele. Lembra que antes de tudo acontecer, lá no Coliseu, trocamos telefones?
Pois é, eu achei que ele já tinha morrido a uma altura dessas, porque ele me disse na época que tinha só mais seis meses de vida, que tinha um buraco no pulmão que não tinha cura. Tinham passado dois anos e ele não tinha morrido... E me ligou para me agradecer. Disse que só estava vivo por minha causa. Que, se eu tivesse denunciado ele naquela delegacia de polícia, ele nunca teria encontrado o médico que salvou a vida dele. Que pensou várias vezes em vir para o Brasil me procurar, sem ao menos ter meu endereço ou idéia de onde eu morava. E terminou com a pergunta “o que você quer que eu faça para você me perdoar?” “Olha”, disse eu, “vai dar bom dia pro Sol, arruma uma namorada e me deixa em paz”. Ah, se fosse hoje em dia....Eu ia dizer “vai dar essa bunda e me deixa em paz...”
Eu tenho um amigo que ficou tão incorfomado com isso que disse se esse cara ousasse pisar aqui levava um tiro. Juro. O tempo passou, a ferida cicatrizou, e agora, toda vez que vejo uma inocente faca de serrinha dando sopa na pia da cozinha, vem a pergunta: Será que eu teria coragem? E você, teria?

 



Escrito por Dani Mel às 01h20
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