Histórico:

- 23/09/2012 a 29/09/2012
- 19/08/2012 a 25/08/2012
- 12/08/2012 a 18/08/2012
- 08/07/2012 a 14/07/2012
- 25/03/2012 a 31/03/2012
- 11/03/2012 a 17/03/2012
- 19/02/2012 a 25/02/2012
- 12/02/2012 a 18/02/2012
- 15/01/2012 a 21/01/2012
- 08/01/2012 a 14/01/2012
- 11/12/2011 a 17/12/2011
- 04/12/2011 a 10/12/2011
- 06/11/2011 a 12/11/2011
- 16/10/2011 a 22/10/2011
- 09/10/2011 a 15/10/2011
- 02/10/2011 a 08/10/2011
- 15/08/2010 a 21/08/2010
- 30/05/2010 a 05/06/2010
- 18/04/2010 a 24/04/2010
- 10/01/2010 a 16/01/2010
- 13/12/2009 a 19/12/2009
- 27/09/2009 a 03/10/2009
- 13/09/2009 a 19/09/2009
- 09/08/2009 a 15/08/2009
- 19/07/2009 a 25/07/2009
- 14/06/2009 a 20/06/2009
- 31/05/2009 a 06/06/2009
- 24/05/2009 a 30/05/2009
- 26/04/2009 a 02/05/2009
- 19/04/2009 a 25/04/2009
- 05/04/2009 a 11/04/2009
- 15/03/2009 a 21/03/2009
- 15/02/2009 a 21/02/2009
- 01/02/2009 a 07/02/2009
- 18/01/2009 a 24/01/2009
- 30/11/2008 a 06/12/2008
- 09/11/2008 a 15/11/2008
- 26/10/2008 a 01/11/2008
- 19/10/2008 a 25/10/2008
- 12/10/2008 a 18/10/2008
- 28/09/2008 a 04/10/2008
- 21/09/2008 a 27/09/2008
- 31/08/2008 a 06/09/2008
- 06/07/2008 a 12/07/2008
- 22/06/2008 a 28/06/2008
- 15/06/2008 a 21/06/2008
- 25/05/2008 a 31/05/2008
- 20/04/2008 a 26/04/2008
- 24/02/2008 a 01/03/2008
- 20/01/2008 a 26/01/2008
- 06/01/2008 a 12/01/2008
- 11/11/2007 a 17/11/2007
- 28/10/2007 a 03/11/2007
- 23/09/2007 a 29/09/2007
- 29/07/2007 a 04/08/2007
- 22/07/2007 a 28/07/2007
- 08/07/2007 a 14/07/2007
- 01/07/2007 a 07/07/2007
- 24/06/2007 a 30/06/2007
- 13/05/2007 a 19/05/2007
- 22/04/2007 a 28/04/2007
- 18/03/2007 a 24/03/2007
- 11/02/2007 a 17/02/2007
- 04/02/2007 a 10/02/2007
- 28/01/2007 a 03/02/2007
- 07/01/2007 a 13/01/2007
- 17/12/2006 a 23/12/2006
- 10/12/2006 a 16/12/2006
- 03/12/2006 a 09/12/2006
- 05/11/2006 a 11/11/2006
- 15/10/2006 a 21/10/2006
- 24/09/2006 a 30/09/2006
- 10/09/2006 a 16/09/2006
- 03/09/2006 a 09/09/2006
- 20/08/2006 a 26/08/2006
- 06/08/2006 a 12/08/2006
- 30/07/2006 a 05/08/2006
- 16/07/2006 a 22/07/2006
- 02/07/2006 a 08/07/2006
- 04/06/2006 a 10/06/2006
- 07/05/2006 a 13/05/2006
- 30/04/2006 a 06/05/2006
- 23/04/2006 a 29/04/2006
- 02/04/2006 a 08/04/2006
- 19/03/2006 a 25/03/2006
- 05/03/2006 a 11/03/2006
- 19/02/2006 a 25/02/2006
- 12/02/2006 a 18/02/2006
- 29/01/2006 a 04/02/2006
- 22/01/2006 a 28/01/2006
- 15/01/2006 a 21/01/2006
- 01/01/2006 a 07/01/2006
- 18/12/2005 a 24/12/2005
- 11/12/2005 a 17/12/2005
- 27/11/2005 a 03/12/2005
- 20/11/2005 a 26/11/2005
- 13/11/2005 a 19/11/2005
- 16/10/2005 a 22/10/2005
- 18/09/2005 a 24/09/2005
- 04/09/2005 a 10/09/2005
- 28/08/2005 a 03/09/2005
- 07/08/2005 a 13/08/2005
- 31/07/2005 a 06/08/2005
- 10/07/2005 a 16/07/2005
- 03/07/2005 a 09/07/2005
- 19/06/2005 a 25/06/2005
- 05/06/2005 a 11/06/2005
- 22/05/2005 a 28/05/2005
- 15/05/2005 a 21/05/2005
- 08/05/2005 a 14/05/2005
- 01/05/2005 a 07/05/2005
- 24/04/2005 a 30/04/2005
- 17/04/2005 a 23/04/2005
- 10/04/2005 a 16/04/2005
- 27/03/2005 a 02/04/2005
- 20/03/2005 a 26/03/2005
- 13/03/2005 a 19/03/2005
- 27/02/2005 a 05/03/2005
- 13/02/2005 a 19/02/2005
- 06/02/2005 a 12/02/2005
- 09/01/2005 a 15/01/2005
- 12/12/2004 a 18/12/2004



Textos e Poesias:

- Perfil
- Trilogia sobre a arte de dar
- Queria ter dado, mas tenho namorado
- Queria ter dado, mas ele era casado
- Mulher Alface / Mulher Rúcula / Mulher Quiabo
- Sobre 2004...
- Bon Jovi
- Bono Vox
- Sílvio Santos - Antológica
- A mãe do Spielberg
- Plantão na porta do Jassa
- Homem Satélite / Homem Mosca / Homem PF
- Anorexia
- Cor de carne ou cor de carmim?
- Tudo por ela
- Desabafo
- Ainda bem que eu não dei... mesmo!
- Manual de etiqueta para sexo casual
- Obrigada
- Quase...
- Renato Chauí
- Não Provoque, é cor de rosa shock
- Tocar o sonho...
- É tão bom... Paquitas forever
- Manifesto
- O importante é que emoções eu vivi
- Sobre 2005
- Eu sigo ímpar
- I Still Haven't Found What I'm Looking For
- Ah, Noronha!
- Rádio FX
- Querido Brad
- QUE MERDA QUE EU DEI...
- FACA
- MULHER ALFACE - CLIPE TOSCO



Indique esse Blog


Contador:


EU E A MÃE DO SPIELBERG

 

 Ele sempre foi o cara. O cara que me fez sonhar a vida inteira. Que me fez acreditar nos sonhos e em tudo que era mágico. O cara que fez ET.

Quando fui para Los Angeles, com uns 23 anos, não tive dúvida, fui atrás. Precisava vê-lo, contar que eu era uma sereia, que tinha uma missão na Terra, que só quando realizasse essa missão poderia voltar ao mar. Eu precisava da ajuda dele, não sabia como, mas precisava. Encasquetei que ia falar com ele de qualquer jeito. Em Los Angeles. Steven Spielberg.

Primeiro passo : descobrir onde era o escritório da “Dreamworks”. Fácil, dentro da Disney.

Segundo: descobrir o nome de qualquer pessoa que trabalhasse ali: Melissa Heninway. Descobri num livro de grandes produtoras que folheei numa livraria em Santa Mônica.

Terceiro : passar de carro com meu amigo Robin pelas 3 barreiras de seguranças armados e sempre desconfiados. Tranquilo, fizemos cara de conteúdo, tipo “somos brasileiros e temos uma reunião com Melissa Heninway”. Coração na boca. Passamos.

Chegamos ao escritório central e fomos entrando. Mr Spielberg não estava. Eu não conseguia acreditar. Definitivamente eu não contava com aquilo. Contava com tudo, com o plano falhar, a gente ser preso, menos com ele não estar ali. Droga, droga, droga. Decepcionados, ficamos mais uns 20 minutos a espera de um milagre, que não aconteceu, e, antes da coisa esquentar e a tal Melissa começar a dizer que não conhecia porra nenhuma de brasileiro algum, resolvemos ir embora. E agora? Pra onde? O que fazer?

“Ouvi dizer que a mãe dele tem um restaurante aqui em L.A...” –eu disse

“Será? Mas ela nunca deve ficar lá...” –disse Robin, meu amigo sul africano, desacreditando em tudo que estava acontecendo

“Será? Mas já que chegamos até aqui não custa...” -eu

“É, não custa...”-ele

E lá fomos nós para “The Milky Way” (a Via Láctea), o tal restaurante. Não foi difícil achar o lugar. Assim que estacionamos o carro, Robin me perguntou:
- “Mas você sabe como ela é?”

- “Loira, de cabelo curtinho e baixinha. Vi numa foto recente” (na Caras).

Eis que 1 minuto depois, uma pessoinha exatamente assim abre a porta do restaurante para nós. Não restava dúvida. Era ela em pessoa, Mrs Lea Adler Spielberg. Comecei a chorar. Como criança. Não consegui conter. Parecia que eu tinha 12 anos e estava encontrando o Menudo. Mistura de alegria, realização, medo, frustração e felicidade. Ela me abraçou e na hora falou que eu não era de lá. Que eu sorria muito pra ser americana(?!). Foi conosco até uma mesa, sentou e começou a conversar. Surreal.

Olha a cena : Robin, um sul africano estranho, loiro, muito alto e de olhos azuis e Dani, uma brasileira loira, com o cabelo muito comprido quase até o joelho e enrolada numa canga, tipo uma capa preta com estrelas roxas, naipe Raul Seixas. O que a mulher ia pensar?

Não sei, sei que ela sentou ali, quis saber do Brasil, da África, da vida, de tudo. Eu queria que ela entregasse meu disco pro filho dela. Ela não podia. Foi proibida pelos advogados de receber qualquer coisa de qualquer pessoa desde que um fulano ridículo que entregou um material pra ela processou Steven Spielberg por plágio no filme “O Império do Sol”. Como assim?

Assim, U.S.A, advogados, showbusiness, Hollywood...

Terminamos de comer (pra ser sincera não lembro nem o que), e, na hora de ir embora, ela me deu outro abraço, forte, um cartão dela, e disse:
- “Let me know about you...”  (tipo a mãe do Spielberg querendo notícias minhas...)

 

Nunca dei notícias, mas tenho ainda no coração e na memória a força daquele abraço e a verdade daquele sorriso.

   Pelo menos, quando eu encontrar o Spielberg de verdade, já tenho assunto...

Escrito por Dani Mel às 13h01
[ ] [ envie esta mensagem ]


O PLANTÃO NA PORTA DO JASSA PARA FALAR COM SILVIO SANTOS - PARTE1

 

 

Sempre achei ele o máximo. Minha avó também. Resolvi que, se alguém poderia me ajudar era ele, o Silvio Santos. Sabia que ele ia sempre no Jassa, seu cabeleleiro e amigo pessoal, mas como saber exatamente quando? Liguei no SBT, descobri os dias que tinha gravação do programa dele, os horários e fiz as contas. Eu sabia que o Silvio jamais iria gravar sem dar uma passadinha com seu Lincoln branco de janelas verdes, dirigido por ele mesmo, no Jassa, lá na rua Iguatemi, em São Paulo. Portanto, aí começava o plano.

Quando cheguei no salão, é óbvio que não me deixaram entrar. Com os mais diversos argumentos, disseram que eu não podia ficar ali, mesmo como cliente, que o salão estava cheio. Estranho para uma terça feira de manhã, não? Talvez tivessem desconfiado de alguma coisa, porque mesmo falando bem e com educação, eu era uma menina toda vestida de preto, com o cabelo loiro até o joelho, e muitas mechas coloridas, rosas e azuis. Não podia fazer um coque ou usar um disfarce, porque a qualquer momento, poderia encontrar seu Silvio e queria causar um certo impacto.

 

E agora? Bom, a calçada é pública, a rua é pública e fiquei esperando lá fora, dentro de um “Fran`s Café” que tinha na esquina. A essa altura, acho que as pessoas já tinham se moblilizado que eu estava ali e fariam de tudo para dificultar minha ação. Sempre é assim.

 

Eis que seu Silvio sai do Jassa e entra no seu carro branco de janelas verdes, que já o esperava na porta. Era o momento. Saí correndo, não quis nem saber, e fui até a janela do seu carro.

-          “Silvio, dá licença, preciso falar com você, por favor.”

-          “Como é que eu posso te ajudar, menina?”

-          “Olha, eu sou cantora, faço música para crianças e quero trabalhar na TV. Toma. Vê e me fala.”-  Entreguei um release com poesias, fotos, projetos, nada muito objetivo.

-          Mas o que você quer exatamente?

E eu lá ia saber? Tinha 22 anos e queria realizar meus sonhos, cantar, gravar um disco, apresentar um programa para crianças. Exatamente eu não sabia. Mas estava lá, com a pessoa que poderia fazer isso tudo acontecer.

- Silvio, está tudo aí nessa pasta que eu te dei. Por favor veja com carinho...

-          “Tá bom, vou ver, muito obrigado, qual o seu nome?”

-          - “Daniela”

-          “Bonito nome. Daniela, o nome de minha filha de númerooo....  3!!!”

-          “Então, é pra você não esquecer de mim”

 



Escrito por Dani Mel às 23h19
[ ] [ envie esta mensagem ]


PARTE 2

 

 

 Ele apertou minha mão (isso lembro bem até hoje, um aperto forte, firme), deu um sorriso e foi embora.

 

 Uma semana depois, toca o telefone na casa dos meus pais. Era do SBT. A secretária do gerente de novos negócios. Dizendo que, por indicação do seu Silvio, o gerente de novos negócios queria falar comigo. Eu não acreditei. Chorava que nem criança. Viu?, eu falava. Viu como é possível acreditar nos sonhos? O Silvio Santos mandou ligarem na minha casa... Tudo pode acontecer...

E lá fui eu, sozinha, com os cabelos coloridos, olhos brilhando, conversar com o tal gerente de novos negócios. Ele foi simpático, até demais, até o nosso terceiro encontro, quando percebi que talvez, ele estivesse me enrolando. Falava de tudo, do SBT, que talvez a Eliana, que na época tinha um programa infantil, fosse sair, de discos, que as minhas músicas eram boas mas nem tanto, do iate que ele tinha em Angra, dos dois filhos, etc, etc, etc. E não definia nada. Só me enrolava. E eu não cobrava. Esperava. Achava que alguma hora alguma coisa iria rolar. Seu eu tinha chegado até ali, com a benção de seu Silvio, então tinha que dar certo.

 

Mas não deu. Tive certeza do naipe do cara, quando, um dia, depois da conversação de sempre SBT-disco-iate-Eliana, o cara simplesmente abaixou a calça na minha frente e falou, exatamente assim:
- ”Dá um beijinho aqui...”

Eu fingi que não ouvi. Ele veio pra bem perto de mim, abaixou minha cabeça e falou de novo:

-“Dá um beijinho aqui...”

Ai meu Deus. Socorro. Que é que eu faço agora? Saio correndo? Grito? Cuspo? Xingo?

Eu deveria ter enrolado ele mais uns dias, ido lá de novo com um gravador escondido na bolsa, instigar o coroa, gravar todos esses absurdos que ele falava para uma menina de 22 anos com um sonho,  vender a história para a “Contigo!” e ganhar uma boa grana. E ainda ia ficar famosa.

Devia, mas não fiz. Não consegui ter essa fantástica idéia em segundos. Nem consegui dar um tapão nele ou jogar meu sapato de plataforma na sua cabeça.

A única coisa que consegui fazer foi virar as costas e sair andando. Triste. Perdida. Sem rumo. Sem esperança. Com medo. Com raiva. Será que o cara fazia isso com todas as meninas que tentavam ir além, que corriam atrás dos objetivos? Ele não tinha vegonha de fazer isso, mesmo tendo 2 filhos pequenos? Se ele continuava fazendo é porque alguém deveria cair, acreditar, pagar o preço em troca de nada, de uma promessa vazia... Sim, existia gente assim no mundo. Não era lenda a história do sofá. Eu estava aprendendo, da pior maneira possível.

Não era pra ser assim. Não era esse o final que eu queria para o meu conto de fadas.

Meus pais nunca souberam dessa história. Nem o Silvio Santos.

Quem sabe um dia eu não tente de novo?

Tempos depois, eu soube que o cara foi demitido do SBT por irregularidades nas contas e desvio de verbas...Descobri também que o universo dá o troco nas pessoas, mais cedo ou mais tarde...



Escrito por Dani Mel às 23h03
[ ] [ envie esta mensagem ]


BONO

“I still haven`t found what I`m looking for”. Quando eu era adolescente, essa era a minha música. De uma eterna busca.

Certa vez gravei-a num estúdio, só voz e piano, numa versão acústica, de tanto que eu gostava dela.

Quando o U2 veio ao Brasil em 98, eu estava trabalhando na produção internacional, ralando muito, uma zona, às vezes até sendo maltratada pelos italianos que estavam produzindo o evento em parceria com o Franco Brunni(produtor do show no Brasil). Um dia, quando eu menos esperava, quando eu passava apressada pelos corredores da produção, veio para mim um gringo que eu nunca tinha visto antes e perguntou se eu poderia ajudá- lo, se eu tinha uns 10 minutinhos. Sim, lógico. Para que? Ele não respondeu, apenas me levou pelo braço, pelos corredores e camarins, e de repente, inacreditavelmente, estava ali, na minha frente, Bono Vox. Como assiiim??? Meu coração disparou ao mesmo tempo que eu precisava aparentar calma, profissionalismo e tranqüilidade. O tal gringo era assistente pessoal do Bono e precisava de alguém para ensinar algumas poucas palavras em português para ele. Eeeeeuuu??? Lógico que sim!!!. Calma, calma, calma. Não era possível. O Bono sorriu, me deu um beijo, prazer, pediu 1 minuto que já voltava e perguntou se eu podia esperá-lo. Ele tinha que terminar de ensaiar com a bateria da Salgueiro, que entraria mais tarde no palco com eles para tocar em “Desire”. Eu, esperar o Bono? Como assim??? Assisti a o ensaio da bateria da Salgueiro com o Bono,  Edge e Larry e o tal assistente. Era tão surreal eu estar ali, e não ter com quem dividir, para quem ligar...

Quando acabou o ensaio, o Bono sentou do meu lado num sofá e disse que queria aprender algumas coisas em português. Fora “E aí galera? Tudo bem?”, ele queria dizer algo diferente, ligado ao futebol. Então, como a Irlanda tinha sido desclassificada nas eliminatórias da Copa do Mundo daquele ano (98), ele pediu ”Por favor, ganhem a Copa pela Irlanda!!!” A galera delirou. Pena, aquele ano a gente perdeu na final para França...

Enquanto eu ensinava ele a falar, lembrei das minhas pirações de adolescente, quando encanei que o pai dos meus filhos tinha que ter olhos azuis, e quase surtei quando descobri que o Bono preenchia esse quesito, portanto era forte candidato. Essa minha lembrança durou 2 segundos, tempo suficiente para eu virar para ele do nada e pedir ”Can you take off your glasses, just for one moment?” Tipo, pedindo para ele tirar os óculos, aquele vemelho, só um minutinho...Para consumar meus delírios juvenis. Ele disse não, é lógico. Bem-feito para mim. Quem mandou você não se colocar no seu lugar, sua louca?-pensei. Meu, passaram mais 5 segundos e ele foi abaixando devagarzinho os óculos e sorrindo, mostrando que estava brincando comigo. Então eu vi seus olhos azuis. Lindos e azuis. Foram segundos que pareceram uma eternidade.

 

Continuamos com os ensinamentos por mais alguns minutos, e, antes de eu ir embora e voltar à minha função de produtora, fui dar um disco meu para ele, que eu tinha acabado de gravar, que por acaso, estava na minha bolsa/pochete. O disco era infantil, gravei com crianças de uma creche, se chama “O Sonho da Sereia”. Para não ficar ridícula a situação, perguntei na maior inocência se ele tinha filhos. Na hora ele respondeu: “Why, do you want to make some?” Mal sabe ele o que aquilo significava, que eu ia levar a sério...”Now?” Perguntei, meio que afirmando. Ele então beijou minha mão, pegou o disco e me fez autografá-lo em nome dos 3 filhos dele. Soletrou nome por nome. COMO ASSIIIIMMMM????? Eu, dando autógrafo pro Bono??? Fiquei feliz pro resto da vida. Cheguei a pensar que aquilo era um sonho e eu não queria acordar.

Eu ainda teria mais uma surpresa. Duas horas depois, quando o show começou, ele falou tudo o que eu ensinei em português durante a introdução de “I still haven`t found what I`m looking for”, a música que sempre foi a mais especial de todas pra mim, e ficava olhando pro lado do palco onde eu estava buscando aprovação, tipo vendo se a pronúncia estava certa. Foi lindo. Chorei que nem criança. Isso tudo foi no show do Rio. Nos reencontramos em São Paulo, novamente, novo show, novas palavras.

 

Foi o cara mais incrível que conheci, de todos eles. Fala baixo, olha nos seus olhos, é bem humorado, pede conselhos para garganta(gengibre), pede sua opinião sobre o U2 vir fazer shows menores por aqui, luta pela paz no mundo e ainda canta que é uma beleza. E tem olhos azuis...



Escrito por Dani Mel às 22h50
[ ] [ envie esta mensagem ]