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INVEJA OU PENA?

Esses dias, numa balada, encontrei um amigo de quem gosto muito. Ele é casado, apaixonado pela mulher.
Nesse dia estava soltinho soltinho. Além de querer me dar uns pegas, ele dava em cima de tudo quanto era mulher que cruzasse o seu caminho. Sem critério. E ia em frente caso ela aceitasse seus drinques e beijos.
Não, ele não estava brigado com a mulher. Tenho certeza que ele é apaixonado por ela. Que ia chegar em casa e enchê-la de beijos, abraços, ia levá-la ao cinema e para jantar no dia seguinte, e seguiriam felizes. Não sei se tenho pena ou inveja dela...
É que ela simplesmente não estava lá. E ele parecia um moleque no parque de diversões.
Que talvez estivesse meio bêbado e nem lembrasse a cara, muito menos o nome da sujeita que pegou. 
Mas pegou.
Então eu pergunto: Por que?
Se você tem alguém que te faz feliz e te completa, por que essa quase compulsão por querer mais e mais?
Algum homem pode me explicar?
Algumas pessoas acham que, porque sou loira e escrevo músicas sobre sexo, sou uma depravada, que saio dando geral. Nada disso. No fundo sou uma menina romântica tentando entender a alma humana. Sem feminismo. Quero tentar entender sem julgar.
Ano passado, por recomendação do meu amigo Mário Bortolotto fui ler “Pornopopéia”, do Reinaldo Moraes. Dos melhores livros que eu já li na vida. Engraçadíssimo, bem politicamente incorreto. Você simpatiza com o personagem principal , o Zeca, que é um puta canalha. E acaba vendo as coisas do ponto de vista dele, acaba se divertindo e dando risada. E entendendo um pouco mais sobre a mente masculina.  O que não quer dizer concordar... Mas talvez abrir os olhos para coisas que estão bem na nossa cara e a gente não quer ver, não quer acreditar que possam acontecer com a gente.
Talvez, se a mulher do meu amigo estivesse lá na balada e visse ele com outra(s), tivesse um choque de realidade e largasse ele na hora.
Mas pode ser que ela não quisesse estar ali. Talvez, no fundo, ela não queira ver. Ela gosta de tê-lo sempre por perto, chegando cheio de beijos e abraços todos os dias. Talvez isso seja mais importante.

Novo casal lá de casa: Yoda e Ariel...

 



Escrito por Dani Mel às 18h47
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Gente, esse blog sempre me surpreende. Do nada, pessoas que eu jamais imaginava, vem me contar que passam por aqui e gostam do que lêem, se identificam, acham engraçado. Isso é tão legal... Sei que deveria escrever mais, vir mais, desabafar mais. É o que eu vou tentar fazer. Porque vontade não falta e as coisas não param de acontecer...

No último mês: tendinite no ombro direito, taquicardia, falta de ar, cardiologista. princípio de Síndrome do Pânico. “Como assim? Eu?”
O doutor: “Minha filha, desde quando você não tira férias?” Uns 3 anos. Então f
ui. Pra onde o azul é mais azul... 
Pela quinta vez para a ilha dos meus sonhos: Fernando de Noronha. Num impulso, peguei o que restava das minhas milhas e marquei as passagens. E se aparecesse trabalho? Foda-se. Resolvi que ia mesmo assim. Decretei, na verdade, que ia desligar do mundo. E, enquanto procurava um possível lugar para ficar, consegui falar com minha amiga Tânia. Não, Tânia não é uma bióloga ou mergulhadora que largou tudo e foi morar na ilha. Ela é de lá, nativa. Nasceu lá, trabalha lá, tem sotaque de lá. Ficamos amigas na primeira vez que caí de para-quedas naquela ilha linda. Tinha 19 anos, largado a faculdade e com grana para ficar 1 semana. Fiquei quase 2 meses. O governo me liberou das taxas de preservação porque eu fazia shows para as crianças aos domingos. E a Tânia me acolheu. Em todos os sentidos. Virou minha amiga, minha irmã, confidente.  Ficamos amigas para sempre. E ,desde então, Noronha virou um lugar muito especial para mim. O astral da mistura de rochas vulcânicas em contraste com o azul muito azul da água é único. Foi quando voltei de lá a primeira vez que comecei a escrever poesias. Foi lá que tive uma das paixões mais lindas e trágicas da minha vida - http://aindabemqueeunaodei.zip.net/arch2006-05-07_2006-05-13.html#2006_05-07_23_41_09-9542199-0

Enfim, sempre aconteceram coisas muito fortes quando estive lá. Poderia não acontecer nada dessa vez. Mas sempre acontece... Depois que conheci Tânia, voltei para lá algumas vezes: quando ela ficou grávida, quando nasceu o filho dela (o Brayner - o pai do moleque achou a palavra “brainy” no dicionário, achou lindo que o significado que vem de cérebro, inteligente, tirou o y e colocou um er no final...), quando o moleque fez 5 anos e a gente brigava pela TV( ele queria ver desenho e eu novela), e agora, com o menino com 10 anos.
Quando falei com a Tânia dessa última vez antes de ir, fazia uns anos que a gente não se falava. Uns 3 talvez. Eu tinha uns 5 números de telefone e nenhum era o certo. Consegui achar minha amiga trabalhando como gerente da pizzaria . No meio de “Caramba, que saudade!!!, como tá sua vida?, Casou?” , ela me falou: “Dani, vem logo, onde eu dormir, vc dorme, a gente põe um colchão e dá um jeito” Aí eu fiquei pensando naquilo e me emocionei. A gente pode ficar um, cinco, dez anos sem se ver, que nada vai mudar. A gente não é amiga de se falar no telefone, na internet, de se cobrar nada. Mas o laço que foi construído ali foi tão forte, tão bonito, que ficou. E a gente conhece tanta gente pela vida que acha que pode contar e na hora do vamos ver, nada, né? E ela, sem eu falar nada, já foi me acolhendo de novo.  Acabei nem ficando na casa dela, descolei uma pousadinha, mas a atitude que ela teve foi o que me tocou. A Tânia é simples, sem frescura, mora num puxadinho da casa da irmã, tem um bar incrível que está embargado, é uma puta guerreira, tá sempre correndo atrás, não foge de trabalho. Vive uma outra realidade, outra cultura, tem outros valores, mas a essência é o que fala mais alto. O caráter tá ali.

Ela me pediu um skate para o Brayner, com rodinhas de silicone, pra ele andar na BR de Noronha. Que eu fui mandar fazer lá na Galeria do rock, aqui em SP, na 24 de Maio.  Eu tava curiosa pra ver como estava o moleque que brigava comigo por causa da TV quando tinha 5 anos. E quer saber? Tá esperto pra caralho. Foi meu melhor guia e melhor companhia na ilha. Tá surfista, educado, malaco, moleque, ouvindo Linkin Park e arrasando no “Guitar Hero”. E criança....

Em Noronha, comecei a comer peixe. Nunca gostei. E dessa vez experimentei. E gostei. Do peixe, do lugar, do momento, das pessoas.
Em 3 dias já era praticamente local, conhecia todo mundo. Turistas, locais, mergulhadores, nativos. Andava de chinelo o dia inteiro, pedia carona, andava à pé, fazia trilha, mergulhava em qualquer praia. Era livre. Sem rímel. Sem baby- liss. Só boné e olhe lá...
Descanso e balada. Golfinhos e tartarugas.
Lá, vc conhece muita gente. Não importa o que você faz ou quem você é. Não existe máscara. É aqui e agora.
É daí que surgem as relações mais legais, mais puras , mais verdadeiras. Você pode ficar anos sem ter contato com a pessoa de novo, mas o que foi plantado ali fica, para sempre.

Passou tudo. O ombro, a taquicardia, a ansiedade. Zerei. Achei que o fim de ano seria uma paz.... Pra quê?
Cheguei em SP, perdi a voz,  meu amigo foi baleado na praça Roosevelt,  peguei uma tosse que não sarava nunca, fiquei à base de cortisona,  fiz fotos para uma revista incrível, descobri que pra cada jornalista babaca existem 3 incríveis, fiz evento como Mestre de Cerimônias,  gravei locução mesmo sem voz, fui madrinha de casamento, participei do “Trix Mix Cabaret”recitando/declamando minhas poesias (ao invés de cantá-las com a banda), enquanto o Gui fazia intervenções com o sax e eu descascava uma banana, foi INCRÍVEL, das melhores experiências, um stand up meio teatral!! E todo mundo junto ali, unido, se ajudando, se parabenizando, dando força, um senso de coletividade, de fazer parte de algo maior, foi muito bom!!
Enfim, sobrevivi.  Mas, pra ser sincera, ainda tô digerindo tudo...
A tosse tá passando com antibiótico receitado pela otorrina. Depois de várias tentativas com chá de gengibre, alho, mel, limão, própolis, anti-alérgico, xaropes, vodka, foi a única coisa que resolveu. Tô conseguindo voltar a dormir à noite sem tossir. E finalmente consegui voltar a escrever aqui no blog. Isso pra mim é o melhor sinal de todos. Um beijo grande a todos vocês. Voltem sempre!!!

O Sol se pondo no mar...

Tânia com Brayner bebê...

Com 5 anos...

Com Tânia, desde sempre...

Brayner, com 5 anos...

Com 10 anos...

Meu guia mirim

Praia do Sancho

Reencontro again

and again...

Carimbo na alma

Baía dos Porcos...

O lugar mais sagrado da ilha

O dia que a galega comeu peixe pela primeira vez na vida....

Num luau à luz de velas e da Lua lá na Conceição

Cheers!!!

 

 

 

 



Escrito por Dani Mel às 18h10
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OS CARAS QUE EU AMO

Não me importa se são casados, feios, estranhos, ogros. Vou amar do mesmo jeito (questão sexual não envolvida, está além disso).
Eles sabem do espaço deles, e do meu. Não invadem. Não ficam de papo furado, não se fazem de desentendidos. Não colam, não enchem meu saco. São sensíveis à sua maneira. Objetivos sem frescura. É deles que eu tenho saudade.
Não existe sedução barata. Nem drinks caros. Existe verdade, noção, empatia, troca. Não a noção romântica de casamento, de felizes para sempre. Existe a noção real, de querer bem, querer estar ali com quem te faz bem. De não fingir ser o que não são. E nem ficar forçando a barra. E nem ficar ligando pra não deixar recado. Quem tem o que dizer deixa recado.
Existe bom humor, ironia, o saber lidar com a solidão de cada um. E respeitar sem invadir.
Existe fracasso também. Perfeição incomoda.
Não tem promessa. Tem aqui e agora. Os príncipes andam meio chatos, carentes, sem graça. Os sapos andam bem mais interessantes...

 



Escrito por Dani Mel às 01h08
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Dia desses, numa mesa de bar com uns amigos, recebi esse desenho. O garçom falou que mandaram me entregar. Virou o assunto da mesa.  Quem seria essa pessoa que ficou me observando tanto tempo sem que eu ao menos percebesse? O garçom regulou a informação, mas acabou cedendo. Era um cara gatinho que estava com dois amigos na mesa ao lado.
Achei, no mínimo corajoso. Sem ser invasivo. Fiquei com vergonha de ir agradecer, fiquei tímida. Mas não queria que ele fosse embora sem falar comigo antes. Embacei tanto que ele acabou indo mas mandou outro bilhete com o garçom. Com nome e telefone.  Adivinha se eu liguei...

Sabe o que acontece? As coisas estão muito loucas hoje em dia.
Eu geralmente pago pra ver. Aí se é pra rolar já rola, e, se não é pra rolar, a gente já desencana, já tira da frente. Mas o que anda acontecendo é que está tudo rápido demais. Só sexo não resolve. É uma delícia, mas é algo que mexe muito com a nossa energia. Se não souber dosar, ela vai toda embora de uma vez.
Sabe por que eu não tenho namorado? Não é com orgulho que digo isso, mas é porque eu não quero. É fato. Dispenso caras grude que não respeitam minha individualidade e, mais que isso, dispenso caras que me pagam um drink e acham que eu estou inclusa no pacote, que já podem ir colando, beijando, lambendo. Take it easy, NÉ? Dá até nojo... Tô dispensando quem não tem o mínimo de paciência. Um saco...
Tira muita energia se livrar de gente incoveniente. E assim, acabo me fechando na concha.
Se você convida alguém pra assistir um filme com você, significa assistir a um filme e não transar loucamente. As pessoas enxergam o que elas querem e isso às vezes é bem complicado. Lógico que pode rolar um clima e um sexo maravilhoso. Mas forçar um clima é beem diferente. Ainda mais com quem você mal conhece. NÉ?

As pessoas não conseguem desvincular carinho de sexo. Querem tudo ao mesmo tempo agora. Não curtem pequenos momentos, a conquista, as risadas, o abraço. Uma pena... Porque é o caminho natural. Um leva ao outro. Tudo tem seu tempo.
O que acontece é que cada vez mais tento me preservar. Gosto muito de ficar sozinha e não quero perder energia nem tempo com que não tem nada pra dividir, só sugar.

Não, não liguei pro cara do bar... Preferi guardar a lembrança dele assim, num guardanapo de papel. Se o conhecesse, talvez quebrasse a história. Nunca vou saber. Dessa vez não quis pagar pra ver. Quis guardar a história assim. E tá tudo certo. Bjos.

 



Escrito por Dani Mel às 16h48
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Acordei morrendo de saudade dele esses dias.
Encontrei um pano, tipo uma bandeira, bem brega, que comprei em Nova York há muitos anos com uma foto enorme dele fazendo sinal de positivo e fiz uma singela homenagem: amarrei na escada. Quando eu morava com minha amiga San, isso era sempre motivo de discórdia. Lógico que ela não queria o Jon Bon Jovi pendurado na escada lá de casa...
Por mais que hoje ouça e goste bastante de vários outros caras incríveis, tipo Bob Dylan, Tom Waits, Leonard Cohen, Beatles, Jon foi o primeiro. Já falei aqui (  http://aindabemqueeunaodei.zip.net/arch2005-02-13_2005-02-19.html#2005_02-14_12_36_22-9542199-0 ) que aprendi a falar inglês para entender o que ele cantava. Eu achava tudo lindo. Como era possível alguém escrever aquelas coisas?

Eu e minha amiga Marcinha, na época da escola, com 13,14 anos, pegávamos as letras e íamos descobrindo cada canção, cada verso. Não tem preço que pague isso.
E é importante dizer que a história nunca foi sexual. Sempre foi romântica. Eu queria conversar, estar perto, abraçar, cantar junto.
Não sei se para os caras é assim também, mas meu apego a Jon é mais profundo.
Esses dias acordei me sentindo só, e, mexendo na gaveta das calcinhas (juro) encontrei o tal pano do Jon fazendo positivo com a bandeira dos Estados Unidos atrás.
É lógico que eu pendurei na escada. A proposta de deixar a casa clean justo agora que moro sozinha foi por água abaixo...
Peguei todos os CDs do Bon Jovi que encontrei em casa, levei pro carro e saí com o som no talo em plena tarde de domingo de sol pra matar a saudade que estava entalada. “Blood on Blood”, “Living in sin”, “Born to be my baby”, “Bad medicine”e todas as canções que cantei na adolescência, foram saindo da minha boca sem que eu precisasse pensar. Estão ali no HD grudadas e ninguém tira elas de lá.
Já fui intérprete de várias bandas aqui no Brasil, nunca do Bon Jovi. Na verdade tenho medo de nunca mais sentir essa saudade boa se, por acaso, ele for babaca comigo. O que realmente pode acontecer.
Porque quando a gente conhece a pessoa, acaba matando o ídolo. Às vezes isso pode ser ótimo (Robert Plant é o máximo), às vezes fica na mesma (Keith Richards, que sorri e não fala nada com nada, figuraça, ou o Axl Rose, às vezes louco, às vezes doce) e às vezes você bodeia da pessoa (o Bono, fazendo tipo demais de bonzinho).
Não quero nunca perder essa conexão com o Jon. Não quero transformá-lo numa pessoa real. Quero deixá-lo ali, meu porto seguro, para quando eu acordar triste num domingo de sol, poder olhar para um pano na escada, colocar um som e sair dirigindo feliz...
Melhor assim do que sair dando para os caras errados, né não?
Salve Jon!!!

Mr Plant e Mr Page, deixando o palco depois de um show absurdamente

inesquecível. HOLLYWOOD ROCK, 1999

Keith, antes de cair do coqueiro...

Axl, Rock in Rio 3, piscina do Copacabana Palace

Jon na escada de casa...Uhuuu!!!

 



Escrito por Dani Mel às 19h11
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Essas são as minhas sobrinhas, Clara e Bruna. Clara mora no Japão, Bruna no Brasil. Tenho mais duas. São 4 sobrinhas no total, 4 meninas. As outras duas são bebês.

Eu, lógico, sou a tia louca... Que tem mala rosa, adora a Hello Kitty, e leva no Parque da Xuxa...

Amo essas meninas. E é com elas e minha família que vou sumir do mapa amanhã, por uma semana....

Vou ver o mar, ler meus livros e ficar com as crianças. No momento, isso é tudo que eu preciso. Cheers!!!



Escrito por Dani Mel às 02h15
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Absolutamente solta no mundo. Me sinto assim. Volúvel. Me apaixono, desapaixono, dou a cara a tapa, me jogo.
Me entrego em estado bruto. E lá vem conseqüência... Ou não.
Quase tudo é uma questão de timing. Às vezes o momento passa, e já era. O encanto se perde. É substituído pela raiva, decepção, frustração. Ou pior, pelo vazio, pelo nada. Aí, o que não se resolveu fica no ar mesmo. Perde-se o motivo, o porquê. Uma pena. Cicatriza sangrando, mas cicatriza.

Ultimamente tenho me questionado a respeito de muitas coisas que faço sem ter certeza se gosto. Então resolvi fazer algumas que tenho certeza que me fazem bem. A música é uma delas.
À música me entrego. É uma das minhas paixões, alimenta minha alma.
Semana passada teve show. No Memphis, em Moema, aqui em SP. Fizemos para nos divertir. Eu, Deboni e Charles, os meninos da minha banda. E posso falar? Foi incrível. Entrei meio bêbada no palco, tomei 2 drinks antes para me soltar e assim foi. Fui soltinha. Cantei bem, chamei as pessoas pra dançar e no palco e, acima de tudo, me diverti. E fiquei bem rouca no dia seguinte.

Quando eu era pequena e me perguntavam o que eu ia ser quando crescesse eu falava cantora. Sempre. Sem pestanejar. Não que eu tenha uma puta voz, mas acho que escrevo coisas legais. E gosto de cantar. Canto de olhos fechados. Então, no meio de propostas surreais que venho recebendo ultimamente, resolvi fazer o que realmente gosto. Porque se é pra fazer algo sem muita grana, ou é pra algum amigo meu, e faço com o maior prazer, ou é porque estou muito afim. E, no momento, eu sou muito afim de música. E estava perdendo isso, no meio dessa vida louca.

Quando eu tinha 12 anos, fiz bat-mitzva, uma espécie de primeira comunhão da religião judaica. É uma cerimônia linda, que reúne umas 25 meninas, com música e rezas. Lembro que encanei que queria cantar o “Shmá Israel”, uma das rezas/músicas mais importantes da cerimônia. Fui pedir para a professora (morá Sima). Ela falou:  “Olha, temos que fazer o teste de voz antes”. Na semana seguinte, rolou o tal teste de voz. Tínhamos que cantar um pedacinho de uma música e, de acordo com o resultado, recebíamos uma nota: R – regular, B – bom, O – ótimo.
Fiz o teste. Na hora de definir quem cantaria o “Shmá Israel”, a música que eu queria, umas 5 meninas foram pedir para a professora para cantar essa reza. Ela falou que tinha alguém que já tinha pedido. Olhou pra mim e foi ver minha nota.
Era O, de Ótimo! Nossa, fiquei tão emocionada... Era tão menina.
E assim foi. Cantei pela primeira vez em público, com microfone, acompanhamento de órgão e vestido branco. Nervosa e sem drinks.
Toda vez que canto vem a imagem daquela menina. Eu sei que muitas coisas se transformam na gente, mudam. Mas tem coisas que ficam.
A paixão pela música foi uma delas.
E no meio dessa bagunça toda que está a minha vida, é o que realmente me deixa feliz.
“God gave rock and roll to you, put it in the soul of everyone...” – KISS


http://www.youtube.com/watch?v=ZvZyGp-LG4I

No bat-mitzva

 

Ensaio à caráter de Mulher Alface...

Showtime!

 

 

 



Escrito por Dani Mel às 02h56
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Eu queria ser muito mais do que sou.

Sempre fui muito medrosa, muito certinha.

Na escola sempre fui boa aluna, meio CDF, quieta, boas notas. E morria de medo de cachorro.

Não sei se isso é de educação ou caráter.

Fui me descobrindo aos poucos.

Queria quebrar mais tabus, encher mais a cara, ser menos política.

Queria ir mais a fundo nas coisas.

Viajei o mundo, trabalhei na TV, no rádio, namorei, não casei, gravei 2 discos.

Mas não, ainda não cheguei onde quero chegar. Nem perto. Tenho essa sensação. Em todos os sentidos. Acho que estou melhorando. Aprendi a falar não sem medo. A encarar a solidão na boa. A gostar dela até.

Queria ser mais inconseqüente, ter menos medo. A ir até o fim quando me propuser a fazer alguma coisa. Estou orgulhosa porque voltei a estudar violão. Comprei um novo, lindo, preto, elétrico. Arrumei um professor, tive a primeira aula. Estudei para a próxima, e estou ansiosa para mostrar ao professor como evoluí. Parece coisa de criança... Perdi a preguiça de fazer pestana e vou começar a tocar nos shows além de cantar.

A gente fala durante tanto tempo que quer fazer alguma coisa, mudar algo, e não faz nada. Fica ali... O tempo passando e nada.

Sabe há quanto tempo falo que quero voltar pro violão? Bastante...

É impressionante como pequenas coisas podem significar tanto. É meio simbólico isso. Essa volta ao que não foi concluído.

A outra coisa que eu quero aprender é “krav magá”, a técnica de defesa pessoal do exército israelense. Já entrei no site, achei um lugar perto de casa, perguntei se posso assistir a uma aula, falaram que sim e... nada. Não fui até hoje. Há sempre um motivo para o embaço. A preguiça, o medo do novo, sei lá.

É tão bom quando a gente consegue vencer isso. Tenho quebrado essa barreira com pessoas também. Enjoei dos amigos de sempre e fui em busca do novo. Tenho tido tantas surpresas, conhecido tanta gente legal. Porque se deixar, não saio de casa, fico lendo, vendo filme, escrevendo. No cômodo, no certo, no quente.

Tô perdendo a preguiça de me encantar de novo pelas pessoas, de me apaixonar e quebrar a cara, me decepcionar, ter vontade do novo.

Perdendo o medo da ressaca, o medo de ir embora, da dor de garganta no dia seguinte, de dizer que quero, de dizer que não quero, dos meus pais descobrirem, de tirar zero na prova, de levar bronca do professor, sabe?

Têm umas coisas que estão tão enraizadas, que precisamos ir lá no fundo buscá-las pra resolver. E podermos nos libertar.

Afinal de contas, o que é viver?

Aliás, sabe como eu perdi o medo de cachorro? Tive um.

Um não, dois. Primeiro um cocker spaniel, o “Scooby Doo” e depois uma pit bull, a “Aloha”.

Bjs, boa semana!!

Parece o Scooby...

E a Aloha

E o violão (novo)...



Escrito por Dani Mel às 19h04
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Fui morar sozinha com vinte e poucos anos… Morei 5 anos numa casinha de vila na Vila Mariana. Com uma grande amiga e uma pit bull linda, Aloha. Meus pais não entendiam pra que e por que eu precisava sair de casa se tinha tudo na casa deles. Quase tudo. Me faltava liberdade pra chorar, paz de espírito para extravasar a alma. Era hora de crescer.
Fui muito feliz naquela casa. Incontáveis festas, memoráveis porres, amigos que iam e vinham e a amiga que morava comigo sempre lá, dividindo conversas, sonhos e desabafos.
Aí, o óbvio aconteceu.  Ela começou a namorar, se apaixonou de verdade e foi morar com o cara. Apesar do susto inicial, devo confessar que fiquei feliz, porque, como duas adolescentes, assim que nos mudamos para a nossa casa, colocamos dois porta-retratos vazios num armário embaixo da escada e fizemos para nós mesmas a promessa de que eles só seriam preenchidos com fotos de quem realmente valesse a pena. O tempo passou, e, por muito tempo eles permaneceram vazios. Era um segredo nosso. Pessoas iam e vinham, mas ninguém foi parar lá.
Então, quando ela me chamou um dia para conversar, assim que voltei de uma viagem surreal para a Índia, e me mostrou seu porta-retrato preenchido, eu já sabia. Ela iria morar com ele. Fazia parte do nosso trato: se alguém se apaixonasse, deveria seguir... E antes que se pense alguma coisa, éramos (e somos) apenas amigas, boas amigas, dessas que quero ter para sempre por perto.

Ela ainda morou comigo uns meses pra não me deixar na mão, até dar tempo de eu ver o que faria e para onde iria.
Eu sabia que não ia querer ficar naquela casa grande sozinha (tinha medo dos ratos e dos ladrões...). E sabia que não queria mais morar com alguém, tipo amiga. Só se fosse um namorado. Queria morar sozinha, de verdade.
Voltei para a casa dos meus pais. Para ficar 2 meses. Fiquei um ano e meio... Fui super bem recebida, mas foi bem difícil. Nem tenho o direito de reclamar, pelo menos tinha para onde ir. Mas é difícil voltar a dar satisfação da sua vida a toda hora. Mesmo morando numa cidade violenta como SP, é importante avisar que não vou dormir em casa, por exemplo, para eles não ficarem preocupados. Mas, daí, inevitavelmente,  vinham as questões, onde você vai dormir? Com quem?
Enfim, depois da intensa convivência, finalmente encontrei meu apartamento. Procurei por muito tempo, em muitos lugares, com muitas pessoas. Os corretores me irritavam, e eu desistia. Sempre faltava alguma coisa. Até que, depois de 10 meses de uma busca intensa, encontrei um AP onde eu menos imaginava. Eu, que sempre morei na zona Sul, Vila Mariana, Moema, Campo Belo, me vi morando perto da praça do por do Sol, zona oeste da cidade. Quando entrei aqui pela primeira vez, sentei no chão e soube que era onde eu queria morar. Eu sabia que teria essa sensação o dia que encontrasse minha casa. E encontrei. Mudei feliz, meus pais deram a maior força dessa vez. Amo eles.
Desde que me mudei, há 3 meses, passei por momentos de absoluta solidão. Uma solidão boa, que eu escolhi. Nada de festas, amigos.
E, em alguns instantes, me entreguei a momentos de completo desespero, outros de questionamento, alegria. Tive longas conversas com a Lua, deitada no terraço olhando para o céu. Queria encontrar respostas para as minhas frustrações, expectativas.
Agora eu era livre para chorar, rir, escrever na madrugada, andar pelada pela casa,  tomar vinho, preparar minhas próprias refeições na hora que bem entendesse.
O que fazer com tanta liberdade? Me fechei na concha. Fui até onde podia ir. Conheci minha alma, enfrentei meus fantasmas, encarei meus medos, fui lá no fundo ver quem eu era de verdade.

Agora, mais leve, voltei a sair, beber, encontrar os amigos. E sempre, em algum momento, o céu me chama lá fora. No último domingo caiu uma tempestade na cidade. Fui fechar a janela ganhei de presente um belíssimo por do sol. Só pra me lembrar como a vida pode ser bela e triste. E aqui ainda nem tem porta retrato...

 

 



Escrito por Dani Mel às 14h33
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“Vamos tomar uma breja dia desses?”
Esses dias, um cara tentando me dar uma cantada via msn mandou essa. É isso mesmo? BREJA? Sei lá, podia me convidar pra jantar, pra tomar um drink, ver um filme, que seja um suco, um café... Breja vc toma com seus amigos. Na primeira vez que você convida uma mulher pra sair, convida para uma breja? Sei lá, tô viajando?

Teve um outro que me convidou pra viajar, mas queria que eu pagasse as passagens. Até me deu o telefone do seu agente de viagens, olha só...
Não quero ser mulherzinha chata, mas o mundo tá mudado, não?
Tudo parece tão fácil, tão fugaz. Gentileza nem pensar? Delicadeza, cuidado, onde foi parar tudo isso? Parece que é tiro pra todo lado e o que rolar, é lucro.
A pior de todas foi um cara que eu achava legal até então, tentando me convencer a dar pra ele. Na maior cara de pau. O detalhe é que ele acabou de começar a namorar. Falta de respeito comigo e com ela. Sacanagem comigo e com ela. Poxa, e começo de namoro é quando tudo é tão legal, como é que pode haver espaço para uma terceira pessoa? Ele insistente, chato, inconveniente, deprê. Com um papo que, se não fosse naquela hora, poderia não haver outra chance. Que tipo de homem faz uma chantagem desse naipe? Falou que eu estava com medo. É mais fácil pra ele inventar pra ele mesmo que eu tenho medo do que aceitar um não.  Existe cara que ganha mulher assim?
Com esse tipo de cantada, rasteira, pobre?
O dia que eu tiver um namorado, vou ser só dele e ponto. Se quiser ficar com outro cara, termino o namoro. Simples assim.
Olha, ultimamente eu tenho saído bastante sozinha pela noite. Sou cantora, preciso achar lugares novos para me apresentar, e nem sempre meus amigos podem ir comigo. E também não tenho problemas em pegar o carro e sair por aí. A noite está cheia de surpresas agradáveis e pessoas interessantes.
Mas tem uns caras, impressionante, que não podem ver uma mulher bonita sozinha que parece que precisam cair matando, precisam provar pra eles mesmos sua macheza. Uma auto-afirmação ridícula.
Nada contra cantadas. Mas tudo contra a grosseria, o papinho de sempre.
Existem cantadas tão encantadoras, tão bem- humoradas, naturais, sinceras, que, no mínimo, você vai ficar amigo da pessoa. Cantadas engraçadas me seduzem. Tiram a tensão. Devolvem o sorriso. E me mostram que sim, gentileza ainda existe. Eu, que andava meio desacreditada, voltei a acreditar.  E sim, posso tomar várias brejas se me sentir à vontade...

Cheers!

 

 



Escrito por Dani Mel às 23h14
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Você já pensou em enfiar uma faca em alguém? Em como deve ser a sensação de enfiar a faca em alguém? Eu já. E penso nisso até hoje...
Quando eu tinha 18 anos, fiz minha primeira viagem internacional. Fui de mochila para a Europa com minha irmã mais velha. Na época, ela tinha 20. E se achava muito mais esperta do que eu, como todas as irmãs mais velhas.... Tínhamos acabado de sair da adolescência e estávamos parando de brigar. O nosso dinheiro era contado. Fomos para Espanha, Portugal, França, Inglaterra, Holanda, Grécia e Itália. Aliás, foi em Veneza que me apaixonei a primeira vista por minha primeira Barbie de sereia. Ficava olhando ela pela vitrine, só olhando, admirando, querendo e não podendo. Aí, no terceiro dia, resolvi: vou comprar. Fiquei sem comer uns 3 dias pra compensar e conseguir juntar a grana. Era só tomate, pêssego e maçã. Por isso resolvi andar com uma faca daquelas de serrinha na bolsa, para descascar frutas quando fosse preciso. A Barbie, Miss Lady Blue, virou companhia e amuleto fiel até hoje. Foi a primeira de muitas...

Naquela viagem nasceu a semente da minha amizade eterna com a minha irmã. Apesar de algumas brigas, vivemos juntas histórias memoráveis. Caímos da moto na Grécia, dormimos nos roofs (telhados a céu aberto) dos navios, comemos “space cake” em Amsterdam, ficamos muito loucas e achamos que íamos morrer, ficamos nos mais fuleiros albergues e conhecemos muita gente legal. Encerramos a viagem na Grécia, com um passe que nos dava direito a 5 ilhas em 2 semanas. Você pode imaginar o que era estar num lugar mágico como a Grécia com gente do mundo inteiro para 2 garotas de 18 e 20 anos?? Foi incrível, memorável...
E foi ali que comecei a descobrir muitas coisas sobre mim.
No último dia, tivemos que nos separar. Minha irmã teria que passar em Paris para buscar uma mala que tinha deixado por lá. E eu voltaria para o Brasil por Roma. Faria uma escala lá e passaria o dia na cidade. Nos encontraríamos no fim do dia no aeroporto e voltaríamos juntas ao Brasil. Por um capricho do destino, isso não aconteceu.
Eu cheguei em Roma muito feliz, com a energia lá em cima. Não lembro de tudo exatamente, mas lembro bem quando cheguei ao Coliseu. E me encantei com aquelas ruínas e com tudo que deve ter acontecido por lá. Aí, que, do nada, fiquei amiga de um cara gentil que veio falar comigo. Eu estava super aberta a conhecer pessoas, estava solar, a alma feliz. Ficamos amigos, passeamos por Roma, ele me comprou chocolates, trocamos telefones. E, quase na hora de ir embora, falou “Você não quer vir na minha casa tomar um banho, pra você chegar limpinha no Brasil?” Não era uma má idéia, estava um baita calor e eu fui.
Só que, chegando lá, ele se transformou, virou outra pessoa. Trancou a porta e falou, do nada: “Se você não fizer tudo o que eu mandar, nunca mais vai ver sua irmã na vida... Você pode gritar, que aqui ninguém vai te ouvir”.
Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, não era possível. Precisava pensar rápido. A primeira coisa que falei, lógico, foi “vamos conversar, a gente é amigo, não é?” Ele estava irredutível. Começou a colocar uns filmes pornôs na TV e falou que eu teria que fazer tudo aquilo, reforçando que, se não fizesse, nunca mais ia ver minha família. Até então eu nunca soube o que era um psicopata de verdade. Ele rasgou a minha roupa. Uma bermuda roxa e uma blusa preta, isso lembro bem. Aí fui tentar conversar de novo. Ele já estava bastante agressivo e alterado. Falei “vamos conversar, calma aí”e num segundo de vacilo dele peguei a faca na minha bolsa. Aquela, de descascar frutas. Esse foi o momento crucial. Será que eu conseguiria? Acho que sim. Segurei ela com muita força e virei para ele. Que segurou o meu pulso com tanta raiva que ele quase quebrou e a faca caiu. Ele pegou. E jogou debaixo da cama. E agora?
A essa altura eu já estava ficando sem saída, pensando no meu namorado no Brasil, que tinha tido tanta paciência comigo para tirar minha virgindade em etapas, para não me machucar, com tanto cuidado, tanto carinho, e vinha um babaca desses e queria estragar tudo?? Não era justo, não era certo, não era possível. Mas era real, era um pesadelo e estava acontecendo. Então, comecei a chorar. O choro foi aumentando, aumentando, aumentando, até ficar histérico e desesperado. Lá no fundo eu não estava desesperada.  Estava controlando tudo aquilo. Não sabia como nem porquê. Foi inconsciente, dramático. Fui atriz sem saber que era.
No meio do transe, lembrei da minha irmã. Se ela estivesse no meu lugar, talvez tivesse travado, paralisado. E ele teria feito tudo o que queria. Ainda bem que era eu. Chorei ainda mais forte. De raiva, de indignação, de medo.
De uma hora para outra ele falou “vai tomar banho que nós vamos para o aeroporto”. Eu não tinha opção, era a minha única chance de sair de lá. Fomos. E, no caminho, ele me comprou flores. Falou que nunca deveria ter feito isso comigo, que se apaixonou à primeira vista. E depois parou em frente a uma delegacia de polícia. Falou “Vai lá e me denuncia, eu jamais poderia ter feito isso com você...” Imagina eu, aquela altura, só queria ir embora de lá, daquele país, daquela pessoa. Imagina se eu faço uma denúncia na Itália, lógico que meu pai ia ficar sabendo aqui no Brasil, puta desgosto, sofrimento, não queria mais aquilo. Só queria sair dali. “Me leva para o aeroporto”, pedi.
Lembro até hoje da cena. Eu chegando no aeroporto de Roma, queimada de sol, mochilão nas costas e flores na mão. Que foram para o primeiro cinzeiro que encontrei.
Flores no cinzeiro. Tenho essa cena até hoje na cabeça.
E ainda veio a notícia surreal: só encontraria minha irmã no Brasil. O vôo dela da França foi direto para o Brasil, não pararia mais em Roma. Embarquei sozinha e fiquei 13 longas horas passando mal no avião. Tentando digerir e entender tudo aquilo que tinha acontecido. Por que uma viagem tão linda tinha que acabar assim? Fiquei com dor de barriga, dor de estômago e dor na alma. Queria tanto ver minha irmã...
Foi um dos encontros mais emocionantes da minha vida. Sabe quando duas pessoas vem correndo uma de cada lado do corredor e se abraçam? Foi assim, exatamente assim, tipo novela... Choramos muito. Ela, feliz por ver que a irmãzinha mais nova tinha conseguido embarcar sozinha e eu.... bom, eu estava feliz por estar viva e estar vendo-a novamente, coisas que talvez, por alguns segundos não sabia se seriam possíveis... Entre lágrimas e soluços, contei tudo o que aconteceu e juramos segredo a respeito.
Aos poucos, a ferida foi curando. O buraco foi mais interno do que externo. Fui no médico, contei tudo, fiz todos os exames possíveis, e apesar de nada ter sido consumado efetivamente, foi bom para, psicologicamente, ter a certeza que estava tudo bem. O pulso, esse sim, ficou doendo duas semanas...
A história poderia acabar aqui, mas ainda não. Depois de uns dois anos, estava eu me recuperando de uma cirurgia de um osso que quebrei no rosto depois de cair do “Banana Boat” em Ubatuba, quando toca o telefone, lá pela meia noite.
Sim, era ele. Lembra que antes de tudo acontecer, lá no Coliseu, trocamos telefones?
Pois é, eu achei que ele já tinha morrido a uma altura dessas, porque ele me disse na época que tinha só mais seis meses de vida, que tinha um buraco no pulmão que não tinha cura. Tinham passado dois anos e ele não tinha morrido... E me ligou para me agradecer. Disse que só estava vivo por minha causa. Que, se eu tivesse denunciado ele naquela delegacia de polícia, ele nunca teria encontrado o médico que salvou a vida dele. Que pensou várias vezes em vir para o Brasil me procurar, sem ao menos ter meu endereço ou idéia de onde eu morava. E terminou com a pergunta “o que você quer que eu faça para você me perdoar?” “Olha”, disse eu, “vai dar bom dia pro Sol, arruma uma namorada e me deixa em paz”. Ah, se fosse hoje em dia....Eu ia dizer “vai dar essa bunda e me deixa em paz...”
Eu tenho um amigo que ficou tão incorfomado com isso que disse se esse cara ousasse pisar aqui levava um tiro. Juro. O tempo passou, a ferida cicatrizou, e agora, toda vez que vejo uma inocente faca de serrinha dando sopa na pia da cozinha, vem a pergunta: Será que eu teria coragem? E você, teria?

 



Escrito por Dani Mel às 01h20
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O que me encanta é a imperfeição.  Dentes tortos, barriga de chopp, marcas no rosto, futebol com os amigos, tá tudo certo. Paguei e pago pra ver até hoje o que me encanta, o que instiga, o que me inspira. Um sorriso, uma declaração assumidamente esfarrapada, uma verdade no meio de tanta trapalhada. Eu acredito que sempre pode haver algo interessante em alguém. E quando eu acredito, vou lá ver. Às vezes me arrependo, mas na maioria das vezes não. É sempre uma história a mais, geralmente interessante e surreal.
Não, eu não sou a mulher dos seus sonhos. Sim, fico puta se você diz que vai ligar e não liga. Porque contar historinha à essa altura e achar que vou fingir que acredito só pra ficar bem na fita, não vai rolar. Sorry. Ninguém tem que dar satisfação pra ninguém. Mas não confunda ser legal com ser trouxa, ser liberal com sair dando por aí. Porque sexo por sexo baby, até rola, gosto bastante, mas não com você. Sair fora rapidinho no primeiro vacilo que você dá, só prova o quanto você não quer nada com nada. Também não suporto papinho de mulher feminista. Cada um cada um. É que está tudo tão descartável hoje em dia...
Ninguém tem mais paciência para nada. A conquista se perdeu... E não é cú doce não. É só um desabafo mesmo. A sensação é que o cara quer ter uma mulher linda e gostosa à disposição, que não reclama, que acredita em tudo. Então compra uma boneca inflável, na boa... Porque mulher, por mais bacana que seja, fica puta, fica triste, fica carente, não tem jeito.

Aí eu ainda ouço que aqui no blog eu me exponho demais. Fiquei pensando sabe o quê? Que o traço em comum entre as pessoas que vieram me falar isso é que são todas come-quietas. TODAS. A real é que quem mais julga, mais apronta. Quem mais se faz de santo, mais faz merda. Respeito quem quer ficar na sua e se preservar, mas não venham dar de bons moços pra cima de mim. Tudo aqui é escrito com verdade, vontade e sentimento. Nada é escondido. Todo mundo passa por roubadas e faz cagada na vida. Escrevo porque sei que tem um monte de gente que se identifica. E não vou deixar de escrever. Não vou deixar de ser quem eu sou porque alguém ficou incomodado. Sério. Se você acredita que sou mais uma loira gostosa roqueira que tem um blog, sorry, tá muito longe de saber a verdade. Às vezes é preciso ultrapassar a barreira, bancar uma história.
Às vezes é preciso pagar pra ver...
Bjs!!!

 



Escrito por Dani Mel às 20h08
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GOD GAVE ROCK AND ROLL TO YOU…

O MELHOR show dos últimos tempos!!!!
Ontem fui no show do Kiss com minha amiga Karen.
Ela tinha ingresso, eu não. Falei “vamos que na hora a gente dá um jeito”. Não teve jeito. Só uns poucos cambistas malucos querendo uma fortuna mesmo depois do show já ter começado.
Ela entrou, eu não. Desespero de ouvir as músicas do lado de fora... E agora? Ninguém da produção, só seguranças malas querendo mostrar poder e tirando todo mundo de perto dos portões.
Daí, do nada, um dos cambistas malucos veio querer negociar um convite de pista VIP. Queria, além de grana, alguma coisa em troca, tipo meu celular ou um beijo na boca... Sério. E eu ainda corria o risco do ingresso ser falso e eu ser barrada na porta.
O que não aconteceu!!! Depois de uma pequena negociação com grana, sem celular e com um beijinho na bochecha, lá fui eu...Para o meio da pista VIP. Eu tava tão feliz!!! Nem acreditava que tinha dado certo.
Dancei tanto, cantei tanto, parecia uma louca!! É diferente de quando você está trabalhando em produção de show, que tem que ficar ligado em tudo o que está acontecendo e não é tão livre assim para curtir.
O único senão é que eu me separei da Karen, ela no meio da galera e eu lá na frente. Mas eu sabia que ela estava bem e vice-versa. Depois do show a gente se encontraria.
E assim foi.
Não me lembro de ter sido tão feliz em um show de rock. Luzes, performances, fogos de artifício e música!! O Kiss é legal porque não tem a menor pretensão de ser cool, com letras elaboradas e melodias difíceis. Eles assumem o lado show, espetáculo, diversão, alegria.
A galera saiu feliz, muitos com a cara pintada borrada ainda cantando.
Eu saí em estado de êxtase, lavei a alma.Tô feliz até agora...
Rock and roll all night and party every day!!!



Escrito por Dani Mel às 10h10
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Você acha que o cara é amigo do seu amigo e vai te respeitar. Estão saindo de um bar. 3 da manhã. Você oferece uma carona. Ele está à pé, mora na esquina da sua casa e você simplesmente quer ser gentil. O cara se convida para ir beber algo na sua casa. Você diz que não, educadamente. Ele finge que não ouve e pergunta de novo se não tem algo alcoólico pra GENTE beber na MINHA casa. Digo que não, dessa vez firme, quase grossa. Ele ainda força a barra. Sério que ainda existe gente assim? Preguiiiiiiça.....
Acho que ele não entendeu que uma carona é uma carona e não uma trepada...

Olhem só onde estarei amanhã!!!!  http://www.trash80s.com.br/blog/2009/03/dani-mel-comandara-as-picapes-da-vo/
 
"Sábado, dia 21 de março, na Trash 80’s Vila Olímpia terá a festa Gatas do Rock, celebrando as mulheres que marcaram o Rock na década de 80, e olha que não foram poucas! Para isso foi escalada a roqueira e gatíssima Dani Mel, ex-locutora da Kiss FM, para botar o público para dançar!"
 
Vou realizar meu maior sonho misturando Kiss com Menudo, Paquitas, Dominó e Bon Jovi!!!! Hahahaha!!!!
Espero vocês!!! 
http://www.trash80s.com.br/
 
IMPORTANTE - É na Trash da Vila Olímpia (R Quatá, 1011). Se vcs forem na Trash do centro, vão dar de cara com "A noite dos Leopardos (gatos malhados num show sensual) - BOYS ESCÂNDALO ANIMAM A NOITE!!!!" 
Se for o caso...
Bjs, bjs

(entrevistando as Paquitas na Rede TV!)

 



Escrito por Dani Mel às 13h14
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Por carência, me envolvi numa furada.
Lá no fundo eu, que adoro ficar sozinha, talvez tenha medo da solidão.
E, num desses momentos de fraqueza, aceitei migalhas.
Só que eu quero um pão inteiro.
Agora, liberta e forte de novo, é hora de encarar os fatos, o medo, a vergonha.
Testes e provações da pior espécie vão continuar vindo.
Tento me esquivar sem medo.  Seguir firme.
E acreditar que tudo vai mudar na hora certa.
É que faz tempo que eu espero a hora certa. Ela nunca vem. Tenho medo que ela nunca chegue...
Ao mesmo tempo tenho esperança e uma certeza forte que ela virá.
Então fica essa mistura de fé inabalável com foda-se geral.
Encontrar o equilíbrio é o mais difícil. Eu sou totalmente desequilibrada. Apesar da ioga.
Mas continuo na busca. Isso é o que me move. É uma força impressionante que eu não sei de onde vem, mas ela me empurra sempre. Aos trancos às vezes. Mas para frente. Sempre.

Aí fui  assistir “O Lutador” (The Wrestler) com o Mickey Rourke.
Quer saber? AMEI o filme. Apesar das cenas de pancadaria. Amei o personagem (que se confunde com o ator), durão, problemático, sensível e forte. Mostrando a alma sem vergonha se ser o que é. Imperfeito e autêntico. A empatia com o cara é imediata. Pelo menos a minha foi. Mesmo ele fazendo bronzeamento artificial e pintando o cabelo. Ele é aquilo, aquele personagem.
Uma das melhores cenas é ele super se divertindo à tarde num boteco caído com a stripper (Marisa Tomei), bebendo uma cerveja e de repente começa a tocar uma música dos anos 80, tipo hard rock. Ele começa a dançar todo desengonçado fortão e diz algo como: “Nossa, isso era muito bom, anos 80, Def Leppard, Guns and Roses...Aí veio o mala do Kubain e estragou tudo...”
Muito booom!! Que bom saber que não sou só eu que não venera o Nirvana... e todo o rock anos 90.
Recomendo o filme!  Mickey Rourke rules!!
Estarei torcendo por ele no Oscar domingo, apesar de Sean, Brad e Philip Seymour.
Bjs!!



Escrito por Dani Mel às 17h52
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